Brasil deve priorizar mercado americano, diz especialista

Ex-diplomata Marcos Troyjo acredita que o país pode pegar carona na recuperação dos EUA

08/04 - 15h04 - Revista Update
O Brasil deve se apressar e pegar carona no reaquecimento da economia americana, segundo Marcos Troyjo, ex-diplomata e presidente internacional do jornal Gazeta Mercantil. Ele acha que o País precisa aumentar "radicalmente" sua representação comercial nos Estados Unidos.

Projeções apontam para uma expansão da economia americana de até 6% este ano, o que equivale a um acréscimo de US$ 600 bilhões no PIB. As importações devem responder por US$ 110 bilhões desse total, calculou Troyjo, que participou do debate Eleição Presidencial nos EUA: Perspectivas para o Comércio Bilateral, realizado sexta-feira (2/4) pelo Comitê de Comércio Exterior da Amcham-SP. "Em 2004, os Estados Unidos terão crescido um Brasil".

Em 1984, Brasil e China tinham o mesmo peso na balança comercial americana, com exportações de US$ 7 bilhões cada. Em 20 anos, as vendas brasileiras para os EUA cresceram 100%, somando US$ 15 bilhões em 2003. Enquanto isso, as exportações chinesas para o mercado americano totalizaram US$ 180 bilhões.

Os números explicam os US$ 420 bilhões em reservas internacionais da China, que deixam o país protegido contra as crises financeiras. Por isso, o Brasil deveria priorizar os EUA para aumentar a poupança interna no curto prazo, disse Troyjo.

Preço da impopularidade

"Mercado confiável é o americano", afirmou o especialista, acrescentando que a Rússia e não a China deve ser o segundo foco das exportações brasileiras. Na sua opinião, o petróleo garante um crescimento sustentado à economia russa. Além disso, a base de cientistas da Rússia torna a relação comercial mais vantajosa para o Brasil.

Para fomentar as exportações, Troyjo defende a criação de incentivos fiscais para a formação de consórcios de representação comercial de pequenas e médias empresas nos EUA. Ele chamou a atenção para o fato de nenhuma empresa nacional ter escritórios em Seattle e Boston, dois importantes pólos comerciais americanos.

Mas as formação de um colchão de poupança requer um "congelamento dos benefícios", analisou. Segundo o especialista, nem sempre o governo poderá repassar os ganhos do comércio exterior para a massa salarial. "Alguém terá que pagar o preço da impopularidade no curto prazo", afirmou.

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